I lost my heart, I buried it too deep, under the iron sea.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Com vocês, senhoras e senhores, Mr. Andrew Bird.


Poucas coisas, no mundo da musica, realmente chamam a minha atenção. Sou muito enjoada e chata para realmente gostar, tenho de admitir. No geral, eu me apego a uma, duas, três ou até quatro musicas de um artista, mas não consigo achar nada de diferente, nada de fenomenal. Isso, de fato, não aconteceu com esse estadunidense, natural de Chicago carinhosamente chamado de Andrew Bird, por conta de sua assombrosa habilidade de encantar a todos com, o que seriam, na boca de qualquer um, meros assovios .

Mas é claro que não é só por conta de seus assovios que Bird é um monstro da musica. Majestosamente ele faz com o violino o que quer; ao mesmo tempo que espanta a todos com geniais acordes no violão/guitarra e quebra barreiras com fantásticos arranjos, os quais incluem vários outros instrumentos (como, por exemplo, um piano extremamente marcante), sem, é claro, esquecer de assoviar na maioria de suas obras-prima e te viciar desde o primeiro contato.



Fora isso, Bird trata de temas profundamente psicológicos em suas músicas. Ele joga verdades nuas, cruas e frias na cara de quem quiser: a vida é isso mesmo, não tente mascará-la. Como diz em Imitosis: it was anything but hear the voice, that says that we're all basically alone; ou como em Heretics, que me remete a um hino de pessoas que foram mortas na idade média, os chamados hereges, e que, com poesia, Andrew conseguiu trazer para um contexto mais contemporâneo.

Bird resgata movimentos musicais e legendários da musica irlandesa e britânica no seu dançante ‘Music of Hair’ um álbum instrumental para se ouvir com muita paciência e atenção. E isso, fora todos os outros pontos positivos, foi o que mais me fascinou na musica que ele, genialmente, compõe: a capacidade de misturar tudo o que há de melhor: blues, jazz, rock, folk, pop e até umas pitadas de MPB. Andrew é, sem dúvidas, o multi-instrumentista mais completo da atualidade. Suas musicas conseguem ter uma beleza celestial. É como vagar sozinho por ruas encharcadas durante uma tempestade e perceber uma pluma sendo carregada pelo vento. Andrew Bird é calmo, mas perturbante ao mesmo tempo. É assim que vejo sua musica.

ai vaí um breve resumo de meu album favorito;

Armchair Apocrypha (2007) :



Sem dúvidas, o álbum pelo qual Andrew será lembrado. Um dos álbuns mais lindos, densos e maduros que eu já ouvi. É capaz de trazer lágrimas aos olhos como em Armchairs, sua musica mais madura e mais poética. Magnifica, é o que posso dizer. Como alguém no Last de Andrew disse: It's too much for only 1000 characters. Fala sobre os sonhos que temos no silêncio, sobre como estamos desesperadamente tentando toda hora fazer com que os outros entendam esses sonhos:

I sighed a song that silence brings
it's the one that everybody knows
oh everybody knows
the song that silence sings
and this was how it goes

Amrchairs é de arrepiar, com seus violinos dramáticos no final. É a faixa destaque. A cativante ‘Imitosis’ conta a história de um cientista que, ao fazer seus experimentos, constata que nossos relacionamentos só existem por conta de reações químicas, e que, por isso, estamos basicamente sozinhos. A beleza do arranjo dessa musica deveria ser algo proibido. Junto com Armchairs, é o pico do álbum. O hit ‘Heretics’, como já mencionado, fala sobre pecadores e tem um coro lindo de morrer. Destaque para a viciante Plasticities, a melancólica Cataracts e, para fechar o álbum, a instrumental Yawny At The Apocalypse, trazendo o canto de passaros e a esperança da manhã, quase como que se desculpando por toda a melancolia passada no album.

E é isso que eu tenho a dizer sobre o assoviador. Andrew Bird, um artista singular, como poucos hoje em dia.

Armchairs:



Imitosis:




Heretics:



2 comentários:

  1. CARALHO, preciso mesmo baixar ele, hein? e eu não sei assoviar. você me deixou com muita vontade de ouví-lo.

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  2. Isso isso, baixa sim! Baixa o Armchair Apocrypha e me diz se gostou =)

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