I lost my heart, I buried it too deep, under the iron sea.

domingo, 5 de setembro de 2010

Sete e meia.

Ele deixaria a redação às sete e meia.

-Feitosa, fecha essas janelas. Tenho frio nas canelas, porra.

Mentira. Não gostava mesmo é do barulho que vinha da rua, embora, alguns lugares não fossem os mesmos sem seus respectivos barulhos – ou silêncios. Redações teriam o cheiro sufocante do cigarro; elas ocupariam andares altos em prédios decadentes e descascados. Redações seriam análogas a puteiros, e estes, por sua vez, análogos á bibliotecas.

Ele olhava ao redor, a sala da redação ficando amarela com o final da tarde que caía decadente como um velho artista que olha para a sua obra e vê apenas a gangrena vermelha e o escárnio dos tempos em que ainda podia segurar o pincel sem tremer.

Triste, ele bem o sabia, embora, os jornalistas já tivessem ido embora e a paz reinasse ali.

-Feitosa, já disse pra tirar aquela porra de espelho da mira da minha mesa.

A barriga já fazia uma circunferência perfeita: era dos cinqüenta; a testa estava brilhante de suor, embora os quarenta graus já tivessem ficado no meio dia. Cabelos: não mais do que meia dúzia no topo. Os óculos eram grandes e grossos, o nariz era desajeitado e torto.

-Empurre essa estante para frente daquele espelho, Feitosa.

Certo. Feitosa empurrava a estante. Agora seus olhos negros e pequenos eram escondidos pelo terceiro volume de Decamerão.

Melhor assim: via-se recortado.

Os ponteiros se alinhavam retos no relógio.

Ele deixava a redação às sete e meia.

Descia as escadas, tirava as cascas de tinta que caíam pelos corredores. Tirava a gravata. Sabia que a lâmpada iria queimar quando ele passasse por ela: de fato ela queimava.

E a noite, quente, abafada, chegava deglutindo sombras e penumbras. Ele estacionava o carro na frente da praça: velha, lacerada por mendigos e prostitutas seminuas, cheia de árvores grossas e postes que lembravam candelabros.

Procurava-a; procurava sua sombra por entre as penumbras que se formavam embaixo das árvores.

Ela escaparia pela janela às sete e meia.

A indumentária cobria o corpo.

Comentara com Maria que fora muita sorte ter ficado com quarto do andar térreo. Maria queria saber o motivo, ela ordenara que se calasse. Ria baixinho quando Maria corava inteira.

-Louca. – Dizia Maria.

Madre superiora mal suspeitava quando chamava todas para tomar a sopa das seis horas e depois as mandava rezar. Ela não tinha coragem de rezar: trancava a Santa dentro do armário.

A luz do quarto era fraca, mas melhor do que a do quarto de Maria. Tirava o hábito, ficava nua. O espelho quedava-se na parede descascada e verde. As manchas roxas pelas coxas e braços tornavam-se amarelas à luz fosca.

Achava-se bonita, tocava-se. Continha rosnados e gritos roucos. Temia que Madre Superiora ouvisse qualquer coisa de despudorada e levantasse.

Olhava para o relógio, esperava.

Os ponteiros se alinhavam retos. Podia ouvir assovios despreocupados de transeuntes livres que passavam pela rua. Queria também assoviar.

A indumentária cobria o corpo novamente, mas agora o tecido roçava nos seios finos e pequenos, nos pêlos crespos e duros.

Ela escapava pela janela às sete e meia.

Andava os quarteirões nas sombras, passava em frente à casa de Tango, deixava de cumprimentar as prostitutas. Perdia-se nos becos, amava os amantes de longe por sentir-se como eles.

Chegava, enfim, ao centro da velha praça: lacerada por bêbados, bicheiros, drogados e putas que se amavam em baixo dos holofotes – holofotes esses que mais pareciam candelabros.

Agora o procurava; procurava sua penumbra por entre as sombras das árvores.

Viam-se, fundiam-se as bocas: daqui a pouco se amariam como prostitutas e bêbados, como penas e cartas, como lanças e peitos. Seguiam pelas sombras, buliam-se pelos holofotes.

Louco, doentiamente ele arrancava-lhe o hábito, sugava-lhe as aureolas, acariciava aonde bem lhe aprouvesse.

E ela tornava-se pagã, lambuzava-se toda, lançava rosnados e gritos roucos na garoa fina da madrugada, ensurdecia a neblina, negligenciava os pudores, arrancava valores de suas mentes, desgarrava-os.

De madrugada, ele pedia.

-Feche as janelas, sim? Tenho frio nas canelas.

E depois, quando faltava pouco para a manhã surgir, feriam-se e sentiam prazer. Ele cravava-lhes os dentes, a pele sangrava, ela tentava gritar, rouca. Ele batia-lhe na cara, apertava-lhe os seios entre as coxas, puxava-lhes os cabelos. Chamava-a de puta.

Quando a manhã surgia, exaustos e meio tontos, vestiam-se.

A indumentária cobria o corpo.

Ele voltaria para a redação às sete e meia.

Ela estaria de volta ao quarto às sete e meia.


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Com vocês, senhoras e senhores, Mr. Andrew Bird.


Poucas coisas, no mundo da musica, realmente chamam a minha atenção. Sou muito enjoada e chata para realmente gostar, tenho de admitir. No geral, eu me apego a uma, duas, três ou até quatro musicas de um artista, mas não consigo achar nada de diferente, nada de fenomenal. Isso, de fato, não aconteceu com esse estadunidense, natural de Chicago carinhosamente chamado de Andrew Bird, por conta de sua assombrosa habilidade de encantar a todos com, o que seriam, na boca de qualquer um, meros assovios .

Mas é claro que não é só por conta de seus assovios que Bird é um monstro da musica. Majestosamente ele faz com o violino o que quer; ao mesmo tempo que espanta a todos com geniais acordes no violão/guitarra e quebra barreiras com fantásticos arranjos, os quais incluem vários outros instrumentos (como, por exemplo, um piano extremamente marcante), sem, é claro, esquecer de assoviar na maioria de suas obras-prima e te viciar desde o primeiro contato.



Fora isso, Bird trata de temas profundamente psicológicos em suas músicas. Ele joga verdades nuas, cruas e frias na cara de quem quiser: a vida é isso mesmo, não tente mascará-la. Como diz em Imitosis: it was anything but hear the voice, that says that we're all basically alone; ou como em Heretics, que me remete a um hino de pessoas que foram mortas na idade média, os chamados hereges, e que, com poesia, Andrew conseguiu trazer para um contexto mais contemporâneo.

Bird resgata movimentos musicais e legendários da musica irlandesa e britânica no seu dançante ‘Music of Hair’ um álbum instrumental para se ouvir com muita paciência e atenção. E isso, fora todos os outros pontos positivos, foi o que mais me fascinou na musica que ele, genialmente, compõe: a capacidade de misturar tudo o que há de melhor: blues, jazz, rock, folk, pop e até umas pitadas de MPB. Andrew é, sem dúvidas, o multi-instrumentista mais completo da atualidade. Suas musicas conseguem ter uma beleza celestial. É como vagar sozinho por ruas encharcadas durante uma tempestade e perceber uma pluma sendo carregada pelo vento. Andrew Bird é calmo, mas perturbante ao mesmo tempo. É assim que vejo sua musica.

ai vaí um breve resumo de meu album favorito;

Armchair Apocrypha (2007) :



Sem dúvidas, o álbum pelo qual Andrew será lembrado. Um dos álbuns mais lindos, densos e maduros que eu já ouvi. É capaz de trazer lágrimas aos olhos como em Armchairs, sua musica mais madura e mais poética. Magnifica, é o que posso dizer. Como alguém no Last de Andrew disse: It's too much for only 1000 characters. Fala sobre os sonhos que temos no silêncio, sobre como estamos desesperadamente tentando toda hora fazer com que os outros entendam esses sonhos:

I sighed a song that silence brings
it's the one that everybody knows
oh everybody knows
the song that silence sings
and this was how it goes

Amrchairs é de arrepiar, com seus violinos dramáticos no final. É a faixa destaque. A cativante ‘Imitosis’ conta a história de um cientista que, ao fazer seus experimentos, constata que nossos relacionamentos só existem por conta de reações químicas, e que, por isso, estamos basicamente sozinhos. A beleza do arranjo dessa musica deveria ser algo proibido. Junto com Armchairs, é o pico do álbum. O hit ‘Heretics’, como já mencionado, fala sobre pecadores e tem um coro lindo de morrer. Destaque para a viciante Plasticities, a melancólica Cataracts e, para fechar o álbum, a instrumental Yawny At The Apocalypse, trazendo o canto de passaros e a esperança da manhã, quase como que se desculpando por toda a melancolia passada no album.

E é isso que eu tenho a dizer sobre o assoviador. Andrew Bird, um artista singular, como poucos hoje em dia.

Armchairs:



Imitosis:




Heretics:



sexta-feira, 9 de abril de 2010

Minha sombra.

Seus magros e compridos dedos se prenderam com força na lateral do banco traseiro do Ford 1974, quando o carro, que tinha o seu brilho apagado pela densa neblina matinal, fez uma violenta curva voltada para a esquerda.

Ele sentiu seu corpo ser puxado e teve a impressão que sua dor de cabeça aumentou com o movimento. Para que a clareza se faça notável, fosse apenas sua dor de cabeça, ele não responderia bruscamente ao homem que sentou ao seu lado.

Seu corpo todo começou a doer.

“Abra os olhos, estrangeiro. Aprecie a vista.” O velho britânico encostou uma das mãos em seu ombro.

“Não me importa. ” Esquivando-se para o lado, deixou que um suspiro impaciente escapasse de sua boca.

O velho pensou que aquilo era pura ingratidão. Além de pensar que era pura ingratidão, ele achou a maior bobagem do mundo aquele diálogo que, para ele, não passava de uma poesia pobre vinda de um jornalista barato. Entretanto, não falou nada, limitou-se a sorrir nervosamente e a passar os dedos entre os macios cabelos brancos.

O jornalista ponderou as vantagens das gotas que começavam a bater furiosamente contra o vidro do carro, de onde sua testa era separada por poucos centímetros. O tempo não seria mais diferenciado entre chuvoso ou ensolarado por ele. Tampouco seria diferenciado pelos ponteiros do relógio, muito menos pelos segundos, horas, dias... todos abstratos. O jornalista concluiu, por fim, que a chuva e neblina não eram vantajosas para nada, a não ser, é claro, para transformar sombras em penumbras.

Embora eu ache que o jornalista nunca tenha se tornado uma penumbra minha.

E ele lançou uma pedra, em um sincronizado movimento, para que esta fosse engolida pelas furiosas ondas do mar, naquele começo de um dia chuvoso e revoltado, pertencente a agosto. O vento deu nós em seus já emaranhados cabelos cacheados, e apagou o toco de cigarro que caiu de seus apáticos dedos brancos.

Ele sentou na rocha que fazia parte do conjunto de outras que formavam a encosta íngreme, e coçou a barba por fazer.

E eu, é claro, finjo que não sei da existência da sinuosa marca, entre o nariz e o grosso lábio superior. Para mim, sombras nunca tiveram e nem hão de ter marcas como aquelas. Muito menos sombras minhas.

O Castelo branco ao longe seria notado pelo jornalista. Suas peculiaridades o lembraram do prédio da mesma cor, mas de alguns poucos andares que ficava na zona oeste. Eira, beira e tribeira. Engraçado como as coisas funcionavam. Agora era ele quem estava sem eira nem beira.

Batidas petulantes eram ouvidas por todo o prédio. Ele viu a cena novamente, passando diante de seus olhos. Suas pernas tremendo como duas varas e, conseqüentemente, sua sombra sendo ainda mais covarde do que ele. A porta de madeira velha caíu no chão.

“Onde está o resto?” As palavras sórdidas eclodiram como bolas de canhão. “Bastardo. Seu porra.”

Dentro da pequena sala toda revestida de pedra e que era escura e quente – sim, quente. Lugares com gritos jamais serão frios, pelo menos não na minha concepção. – as palavras saíram livres como as melodiosas canções que eram entoadas na avenida.

Foi quando o jornalista topou a sua frustração com a minha.

Ele havia perdido a proteção de quem ele tanto idolatrava. Foi quando ele se autodenominou penumbra minha. Mas, como eu disse antes, sombras minhas são sombras minhas mesmo nos nebulosos dias ingleses. Basta olhar para tonalidade de sua tez para perceber que tal sombra me pertence.

E, lembrando disso tudo, ele se levantou de cima da pedra e caminhou apaticamente, como passara a fazer sempre, e se dirigiriu ao Ford 1974. Ele se sentou ao lado do cavalheiro inglês e pegou das mãos do cavalheiro, o bilhete com o maldito numero inscrito nele.

Vôo 12828.

“Eu sorriria se estivesse voltando.” O cavalheiro inglês, como sempre, fazendo comentários inúteis. Sua voz britânica soando escarnecidamente fútil.

Mal sabe ele que eu sorriria também. Mas eu não posso sorrir, porque o jornalista acha que se tornou uma penumbra minha. Pior do que isso, ele acredita que eu também me tornei uma penumbra, e ninguém gosta de saber que está voltando para uma.

As palavras ‘Londres’ e ‘aeroporto’ feriram o ouvido do jornalista. Ele parou, retesado, diante do portão de embarque e estalou os olhos como se tivesse tomado baldes e mais baldes de café. Como de fato fazia quando passava as noites pensando em mim.

Ele passou pelo portão de embarque e teve a sensação de estar ouvindo violões sendo dedilhados, mesmo que estes se encontrassem do outro lado do atlântico. Os violões, que igualmente são sombras minhas.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Como ser um playboy babaca em 10 passos simples

É com grande prazer que a Ponta Grossa edições apresenta o mais novo guia baseado em figuras típicamente locais. Sempre quis ser um Playboy? Sempre se achou babaca o suficiente para tal, mas nunca soube como?Bem, não se preocupe. Seus problemas estão acabados, porque o Guia De Como Ser Um Playboy Otário Em 10 Passos Simples foi confeccionado pelos melhores experts no assunto, diretamente daqui de Ponta Grossa, A Playboylandia.

It's with enormous pleasure that Ponta Grossa editions presents the most newest guide based on tipical local figures. You've always wanted to be a Playboy? You always thought to be jackass enough for such thing, but didn't know how? Well, don't worry. Your problems are past, because the Guide Of How Being An Asshole Playboy In 10 Easy Steps were made by the best experts on the thing, directly from Ponta Grossa, The Playboyland.


(Nossos autores botando em prática o que está no Guia)

(Our authors putting into practice what's on the Guide.)

1- tire fotos com bebidas espalhadas em cima da mesa, faça joia com a mão ou 'aloha' pra parecer descolado, dê um sorrisinho maroto.

1-Take photos with drinks
spread all over the table, make affirmative with your hand or 'aloha' to look 'up-to-date' and 'mainstream'; then smile smartly.

2- As meninas podem tirar fotos com biquinis e os caras com sungas florais em uma piscina azul brilhante, não esqueça de segurar a cerveja

2- the girls can take photos wearing biquinis, and the guys can wear floral shorts in shinning blue pools, don't forget hold the beer

3- Mostre que você vive no bairro de ricos da cidade,traga um litro de vodka pro meio da rua e tire foto na frente de uma mansão com a galera.

3- Show that you live in the richest neighborhood in town, bring a liter of vodka to the middle of the street and take a picture in front of a mansion with the guys.

4- Nas baladinhas deslocadas, procure um fotográfo de uma revista qualquer (portal fix) e sorria como um politico.

4- At cool parties, look for a random magazine's photographer (Portal Fix) and smile like a politician.

5- Pegue a sua hilux e saia ouvindo trance (aka bate-estaca) em volume muito, muito alto pela cidade. Pare em um posto de gasolina e tire uma foto na frente do mesmo com a galera e, é claro, sempre segurando o litro de vodka/cerveja

5- Take your Dad's Hilux and get out trough the city listening to trance music in a very, very loud level. Stop in a gas station and take a picture in front of it with the guys and, of course, don't forget the vodka/beer

6- Coloque um brinquinho dourado em uma das suas orelhas,vista um nike shox, um moletom adidas,um calção arco-iris-gay e tire fotos de você fazendo 'aloha' dentro da hilux do seu pai.

6- Put a small golden earring in one of your ears, dress a nike shox, an Adidas sweatshirt, a rainbow-gay shorts and take photos of yourself making 'aloha' with the hand inside your dad's hilux.

7- Coloque no orkut que você esta vivendo em curitiba mesmo que você não esteja e coloque lá uma foto do carro da sua mãe e diga que o carro é seu.Você passa a idéia de que subiu de nivel e passou pra pseudo-cu-ritibesta descolado mesmo que você ainda pegue o busão pra ir pro cursinho.

7- Put in your relationship network's profile that now you're living in a big town, even if you aren't. Put there a photo of your mom's car and tell people that it's yours. You give the idea of being mainstream and cool, even if you still take the bus to go to school.

8-Meninas, gastem 25000 reais nas suas festas de 15 anos.

8- Girls, Spend 25000 of cash in your fifteen birthday parties.

9-Apareça na coluna social TODA a semana. Dê um jeito de pagar pra aparecer no Portal Fix todo o domingo, mesmo que seu pai esteja devendo as cuecas e mesmo que ele tenha penhorado a sua mãe-perua como garantia

9- Show up on the social columm of the newspaper EVERY week. Figure out a way, even if your father owes his underwear and has extended your flamboyant mother as a garantee.

10 - E por ultimo, mas não menos importante;

10 - And for last, but not least;

lembre-se de que um bom playboy otário trata mal professores, funcionarios publicos, empregados, idosos, gays, negros, indios e mendigos. (só pra constar que eu tenho ABSOLUTAMENTE nenhum tipo de preconceito com essas pessoas, estou apenas fazendo uma critica aqui para quem tem. Por favor, não se sinta ofendido)

Remember that a good asshole playboy is rude and inpolite with teachers, public employees, his own employees, elderly, gays, black people, indians and beggers. (I have absolutely nothing against those people, I'm just criticizing who has. Please, don't feel offended.)


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Are we the dining dead?




"Are we like those boring couples... you feel sorry for in restaurants? Are we the dining dead? I can't stand the idea of us being a couple people think that about."

yeah, Joel, you said EVERYTHING. That's why I might never get a serious relationship.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Death Cab For Cutie - Something About Airplanes (Review)



Bandas sempre possuem o álbum característico que as fazem ser lembradas e reconhecidas. Álbuns que marcam uma época. Por exemplo, os Beatles possuem o Sgt, Pepper's Lonely Hearts Club Band, o Pink Floyd possuí o Dark Side Of The Moon, o do Oasis é o What’s the Story? (Morning Glory) e o Radiohead marcou milhares com o Ok Computer. O álbum Something About Airplanes, primeiro trabalho da banda norte americana Death Cab For Cutie, lançado em 98, está longe de ser um deles.

O álbum é totalmente desprezado pela maioria do público da banda, o qual idolatra o Plans e o Transatlaticism, que são fantásticos álbuns também, na minha opinião, mas que não conseguem ter o espírito irônico e nem a maturidade do Something About Airplanes. O álbum traz a tristeza da vida adulta, fala de como a mesma não é fácil e encara uma realidade pessimista com arranjos de guitarras surreais e ritmo nostálgico. É com esse trabalho que Benjamin Gibbard mostra aos seus fãs o quanto é capaz de falar sobre sentimentos através de metáforas pesadas e melodias intimistas.

Este é um dos pouquíssimos álbuns que conseguiu me elevar para outro tipo atmosfera. É o álbum mais esculachado e injustiçado do DCFC, mas eu ouso dizer aqui que é o melhor álbum da banda e um dos meus favoritos de todos os tempos.

A Primeira faixa, Bend To Squares começa fúnebre, com a guitarra fazendo às vezes de um violino e o violão dedilhado ao fundo. A letra não faz sentido algum, mesmo assim parece trazer os sentimentos de alguém que esta no fim da vida, e que desperdiçou a mesma com tentativas fracassadas. Ela é absolutamente linda e uma das melhores de Benjamin Gibbard. Perfeita para se ouvir tomando um chá, naquele inverno, embaixo dos cobertores, observando a chuva cair pela janela. Em seguida, vem um dos pontos altos do álbum: President Of What? O sintetizador do começo nos lembra da solidão que é estar dentro de um avião a milhares de metros nas nuvens. Parece até que imita o som do vento de encontro com a lataria do avião. Mas isso, é só no começo, pois a música estoura para um ritmo mais revoltado e rebelde. A frase Something’s got to break you down acaba com quaisquer perspectivas de felicidade completa. Em seguida, vem o solo e a voz que fala ao fundo onde podemos notar um pouco da ironia do Ben:

(For years, I've been closely watching parents and children.
I've noticed how the success of children later on
really starts very early, in the home.
All boys and girls are born with their own special talents.
These talents have their greatest chance to grow
in a friendly, loving home.)

E a musica cai acabando com uma das frases mais verdadeiras que algum letrista já escreveu: ‘Cause nothing hurts like nothing at all, When imagination takes full control.’

Champagne From A Paper Cup começa com uma batida peculiar, lembrando uma marcha. Fala sobre alguém desesperançado, que, aparentemente, está bebendo demais enquanto espera outra pessoa em um bar. Uma situação tipicamente normal de bares, mas o que chama a atenção nessa lindíssima música não é a letra, mas sim a melodia. Se fechar os olhos, poderá sentir o cheiro da madrugada e aquela atmosfera sombria de alguém que está bebendo por pura tristeza.

Your Bruise, pra mim, é a melhor musica que o Death Cab For Cutie já fez. Uma obra-prima; masterpiece absoluta. O ápice do álbum. A letra é uma pessoa relembrando o passado da outra e dizendo que as feridas foram curadas, porque, aparentemente, a outra pessoa insiste em continuar sofrendo. Your Bruise é um outro universo. O solos das guitarras calmas do começo acompanham a idéia do que o Ben começa a cantar: a outra pessoa não consegue, ou pelo menos faz os outros acharem, que ela não consegue superar as marcas do passado. A entrada do baixo e da bateria voltam, junto com a letra, para o passado: We sped the Plymouth ‘cross the banks of the Mississippi River, Mary Timony was smaller than a super ball e aí então, vem para o coro, que é quando o locutor diz que a ferida foi curada, porque não se pode mais senti-la. Your Bruise está entre as minhas 10 musicas favoritas de todos os tempos, e é nela que eu percebo que Benjamin Gibbard é um gênio musical.

A mais animada Pictures In An Exhibition critica dizendo que as pessoas são plásticas, sem corações, sem expressões: And all your plastic people with plastic hearts and smiles
They had the worst intentions all along after all.
É, basicamente, um desabafo de quem acha que as pessoas estão cada vez mais alienadas.

Voltando ao ritmo mais intimista, Sleep Spent, é outro ponto alto do álbum, e é linda. Simplesmente maravilhosa. Fala sobre quando os casais decidem dar um ‘tempo’. Mas, diferente do que acontece na maioria das vezes, um dos dois assume a culpa, admitindo que vá quebrar o coração do outro e pedindo pra se afastar:So, drive away your mouth from my ears, and waste a day so I can think clearly. Um trilhão de emoções passam pelo meu coração quando eu escuto Sleep Spent, minha segunda favorita do álbum. Você pode sentir toda a dramaticidade que é uma crise em um relacionamento, onde as pessoas realmente se gostam, e todo o clima pesado e triste que envolve isso.

A psicodélica, mas igualmente sombria, The Face That Launched 1000 shits, é uma música cuja letra foi feita para não fazer sentido algum. É uma das musicas do DCFC que você pensa: ‘poxa, cara, eles estavam chapados quando escreveram isso’. Mas, quando eu fecho os olhos, eu posso me imaginar sentada perto de um lago gelado com montanhas ao redor. E eu sei que é muito pessoal, mas é isso que eu adoro nessa musica. Apesar do título e da letra sem sentido (você está em uma sala, sozinho, mas, de repente, você é o rosto que lançou mil merdas numa praia da Ásia menor) é uma bela musica.

Amputations, ao meu entender, fala sobre cortar fora as coisas que nos fazem mal. A introdução é lenta, mas então a bateria entra dando a idéia de que somos cretinos o sufiente para mantermos nossas mentes ocupadas com coisas que realmente não importam, deixando as coisas que importam de lado. Vocais abafados, guitarra puxada. Sabe quando você está morrendo de raiva de si mesmo e pensa que é um babaca? Amputations vai te dizer justamente que você é um babaca, de fato. Grande musica.

Não que Fake Frowns seja uma musica ruim, mas creio que tenha destoado um pouco do resto do álbum com relação a ‘profundidade musical’. Talvez o ritmo seja acelerado demais, mas é uma boa musica. Para se ouvir quando se está agitado.

Assim como Presidente Of What? e Your Bruise, Line Of Best Fit, o fechamento desse magnífico álbum, possui aquele mesmo sintetizador do começo – lembrando o vento que sopra acima das nuvens. Uma música para o coração, como diz um amigo meu. Sombria, triste, melancólica, depressiva, intimista e... perfeitamente sublime. Aqui, as guitarras são abafadas, dando a idéia de sufocamento, que é o que o locutor da musica dá a impressão de estar sentindo: Can't escape this line of best fit. É quando você sabe que algo ruim vai lhe acontecer, mas você não tem a menor chance de escapar. É musica pra quem esta na fossa, uma depressão do cara***. Mas a melodia é grandiosa no que diz respeito a te fazer sentir as emoções mais variadas, e bem no fundo da sua alma mesmo. É no final dos 7 minutos de música que a parte de arrepiar os cabelos começa. Uma voz extremamente suave começa a cantar, no fundo do sintetizador deprê que vai e volta como se, de novo, fosse ventos gelados batendo acima das nuvens. Não poderia fechar um álbum de uma maneira mais linda, Ben Gibbard.

E o que eu posso dizer que temos em 43 minutos de música? Perfeição. Isso mesmo.Posso dizer que, depois dos dois primeiros do Keane, o Something About Airplanes é o meu álbum favorito, é o típico álbum que nunca vou me enjoar de ouvir de novo e de novo por anos. É uma pena que seja tão desprezado pelos fãs mais novos do DCFC, pois pode mudar a visão de como você vê o mundo.

Vou deixar o link aqui, mas não espere sair dançando ou se sentir feliz quando ouvir o Something About Airplanes. Como já disse, é um álbum pesado, sombrio e difícil de gostar de primeira, porque ele vai tocar nas suas feridas abertas e te deixar na fossa, mas, ainda assim, estar lá quando você desmoronar.

Something About Airplanes por Death Cab For Cutie - 9,5 de 10.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Auroras

She stared at the wide, grey beach. It wasn’t a ordinary beach, like those we pull into our minds when someone says the word ‘beach’; the sunny, warm, burning place filled with happiness and smiley people.

No.

The beach which she was staring at wasn’t the stereotyped one at all. It was a sad, frozen beach. With snow falling all over the rocks and some seagulls singing sad old songs. It had no living human, just her and the hairy, shining creature. Maybe ghosts: regards that were as miseralbe as her, but no humans at all. And that was such a relief to her.

The beach was neither empty, nor happy, though.

It wasn’t empty because she was staring at the only thing which she could ever love, at least now. And it wasn’t happy too because, of course, that fact was pretty sad, full with disappointment. A tired, depressive disappointment.

And everyone knows that nothing full of disappointment can be happy.

It was white. So white that was about to burn her eyes, when she blinked and looked away at the unconcerned waves that were making the uninterrupted moviments, without even notice her presence. And, for the first time in months (maybe years), after realize how much nothing really cared about her in that place, she felt herself a little happier.

She could even smile softly now.

She stoped staring at the beach and started staring at the white thing just a few meters away from her. It was beautiful, She had dreamed with that her entire life, and now she could finally own it.

But no, nothing can be such a perfection. Something was missing. Of course she knew it, since the very first moment, when she thought about moving to that place, she already knew it.

The thin, tall and smiley silhouette was missing. The only thing that she could love more than the polar auroras. And It would keep itself missed forever now, and that was a closed and irreversible fact. She didn’t even know if she had ever owned such silhouette ; she was already wondering if it had been really real, or if it wasn’t nothing but a dream. A stupid, patheticfantasy.

She looked at the pink, hairy little thing holding her hand and felt a stitch pain reaching her heart. That being, part of her, could be a hallucination as well. Who knows? She always had the impression of madness in everything around her anyway.

She nodded, trying to push all those thoughts away. She held the little hand even harder and ran across the beach, so in a minute, her and the smiley creature were inside the wide, white house, The last one laughing so hard that, for a moment, a tiny, little second (maybe not even this) the foggy beach became her old home. A comforting fireplace protecting her from the evil winter.

But that moment soon faded. She was staring at the white’s house solar again and, again, she realized that the thin silhouette wasn’t there , and would never be. But then she realized that the auroras would never stop happening. She would have the opportunity of seeing them every wonderful night, with the little creature, that was, now, sleeping deeply in her arms.

And, oh yes. That night she saw the green and purple aurora above her head in that frozen beach of the North Atlantic. Far away, in the iron sea, some killer whales were singing along for the moon.

She didn’t wake the hairy being up, so he could keep dreaming, thing that she could not do anymore.