Eu estava sem idéia nenhuma para começar este blog, quando, ouvindo Sigur Rós, eu lembrei dos lugares ‘fim do mundo’ . Eu sempre tive uma fascinação por lugares fim do mundo, até porque, se você for ver, não é lá onde o mundo acaba, mas sim onde você pode ser elevado para um paralelo espacial. É nos lugares fim do mundo que cores psicodélicamente vibrantes dançam em um céu azul marinho. É em lugares fim do mundo que noites são dias e dias são noites. É em lugares fim do mundo que você pode ser quem quiser ser sem ter que corresponder às expectativas dos outros. E, finalmente, é em lugares fim do mundo que você pode ser as cores vibrantes (ao invés de apenas deixar-se levar por elas); e que você pode escolher se quer ser dia ou noite, ao invés de apenas ver eles correrem. Ninguém irá lhe importunar se te ver jogando pedrinhas marrons na água de uma praia deserta qualquer coberta de neve, mesmo que você já tenha feito isso nos cem dias anteriores, até porque, elas já estão muito preocupadas tentando controlar a própria depressão.
É nesses lugares que a nostalgia e a melancolia vão ser suas melhores amigas. Embora, talvez, seja culpa minha pensar que o passado é sempre melhor do que o presente e que o presente é melhor do que o futuro (Clichê, eu sei, mas a não ser que você seja uma pessoa irritantemente feliz, você vai concordar comigo) Entretanto, como disse um filosofo famoso aí (de quem realmente eu não vou me lembrar do nome): Não há como definir o tempo, vivemos no passado, no presente e no futuro. Contudo, ainda, eu preferiria viver tudo o que já vivi de novo.
O que eu acho mesmo é que lugares fim do mundo guardam toda a tristeza nostálgica refugada pelo campos dourados de trigo do sul do Brasil, pelas praias fruta-cor do Caribe, e pela costa ardentemente azul da Itália e Grécia. Vai ver é por esse motivo que ninguém quer ir para lugares fim do mundo. As pessoas me olham estranho quando digo que quero passar parte da minha vida em lugares assim, mas elas não sabem que talvez lá possamos reviver o passado, se nos deitarmos na areia cheia de conchas quebradas, nas bordas de um lago esfumaçante e cinza e fecharmos os olhos.
Svalbard, Sibéria, Vladivostok, Ilhas Aleutas, Patagônia, Groelândia, Antártida, Islândia. Escolha o seu, sempre acompanhado de uma boa música de fossa, e pegue o próximo avião/barco/trem, enquanto eu penso sobre Auroras Boreais e vou ali ter uma overdose de Keane e Sigur Rós.
(Aí vão algumas imagens dos meus lugares fim do mundo favoritos.)
Svalbard:
Sibéria:

Vladivostok:
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